

Marcello Castilho Avellar (Jornal Estado de Minas)
Assistir ao trabalho da Cia de Dança Balé de Rua é ser testemunha de um fenômeno que ocorre com certa raridade na história da Arte: o exato momento em que a dança teatral se alimenta das raízes populares. Vale a pena ver. No Brasil, pelo menos, não há coisa sequer parecida.
E Agora José? realiza-se como um dos mais contundentes manifestos cênicos contra a condição contemporânea do Brasil. De maneira surpreendentemente natural, operam fragmentações sofisticadas, rupturas imprevisíveis, fusão de linguagens, releitura de objetos, gestos ou sons que julgávamos já seremsuficientemente conhecidos.É pensamento, instrumento de reflexão, discurso sob a forma de dança. E sempre com sabor de terra, de raiz, quase trágico em seus momentos mais sérios, sublime quando se eleva em espírito, mas sempre forte, contundente.
"O
CUBO", do Balé de Rua, transforma em movimento a cultura brasileira,
revelando equilíbrio no conjunto e frescor que soa como se fosse improviso.
Momentos sublimes e puro humor. O espetáculo é impecável
nos detalhes.É magnífico no conjunto, na maneira como lida com
dinâmicas, no frescor que parece improviso, na sinceridade com que traduz
e transfigura em movimento
e emoção a cultura brasilieira.

Helena Katz (O Estado de São Paulo)